Fluência Digital: Como integrar a tecnologia à prática do professor?

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Por Elisiane Spencer Goethel

Há tempos a fluência digital tem sido discutida no ambiente educacional, mas o momento que estamos vivendo trouxe ainda mais visibilidade ao tema, deixando clara a sua importância. Chegou a hora tão temida por muitos educadores de encarar o “bicho papão” da tecnologia que os atormentava e enfrentar seus medos e receios, para que consigam dar continuidade aos seus trabalhos.

Ser fluente digital é uma necessidade, ter um corpo docente fluente digital será indispensável. Entender como a tecnologia pode trazer benefícios para o ensino-aprendizagem de professores e alunos ainda é um grande desafio para as Instituições de Ensino.

Mas o que significa ser fluente digital?
Quando falamos em fluência, geralmente nos vem à cabeça a fluência em idiomas. Quando uma pessoa é fluente em algum idioma quer dizer que ela sabe tudo sobre aquela língua? Certamente não. De certo modo, podemos dizer que ter fluência significa dominar o suficiente e com tal profundidade que nos permita ter um bom desempenho. Contudo, quanto maior a profundidade de conhecimento e domínio, maior será o nível de fluência.

Assim, para ser fluente digital é preciso ir além de saber como funcionam as novas tecnologias e suas ferramentas e entender para o que elas podem servir, de modo que elas sejam um meio de atingir o objetivo e não o fim do processo ou foco de entretenimento ou objetivo final.

Agora, como promover a fluência digital da sua equipe? Como via de regra, precisamos conhecer a equipe, traçar objetivos e trabalhar para aprimorar o conhecimento por meio de estratégias personalizadas. É aqui que entra, então, a importância da formação e orientação dos membros da sua equipe, professores e administrativo, buscando prepará-los para que usem a tecnologia de forma adequada.

Em relação à formação de professores, existem vários modelos e abordagens utilizados para se trabalhar o desenvolvimento profissional docente, dentre eles podemos destacar o TPACK (Technological Pedagogical Content Knowledge). A relevância desse modelo é defendida por diversos pesquisadores, pois, ele permite a utilização efetiva e eficaz das tecnologias nos processos educacionais, por meio da integração de três componentes centrais e as interações entre eles: o conteúdo, o pedagógico e o tecnológico.

O profissional precisa ter uma visão do processo de ensino-aprendizagem como um todo, com início, meio e resultado. Considerando que ele já domina o conhecimento específico da sua área e o conhecimento pedagógico essencial, é preciso desenvolver o conhecimento tecnológico. Para tanto, é necessário propiciar uma formação continuada que possibilite a ele atribuir um novo significado para as tecnologias e que ele as utilize para práticas pedagógicas que resultem em uma aprendizagem significativa.

É comum que no início haja a inclusão de tecnologia apenas para substituir os recursos tradicionais: a apostila impressa pela digital, a projeção de slides, dentre outros, sem adicionar uma função nova.

Apesar de ser um avanço importante, não é o suficiente. No modelo SAMR, criado pelo Dr. Ruben Puentedura, a substituição é o primeiro de quatro níveis do uso de tecnologia no meio pedagógico, sendo os outros três, os níveis: ampliação, modificação e redefinição.

Ao ampliar o uso da tecnologia, percebe-se que há apenas uma melhoria funcional, ou seja, continua-se substituindo uma tecnologia antiga, sem avanço pedagógico, mas com “um toque” dado pelas funcionalidades da nova tecnologia. Isso ocorre, por exemplo, quando utilizamos uma apresentação para demonstrar um conteúdo/atividade para os alunos (até aqui estamos no nível de substituição) e adicionamos à ela recursos como vídeos, gifs, áudios, dentre outros (passando para o nível de ampliação). Esses dois primeiros níveis não geram uma alteração significativa no processo educacional.

É a partir do terceiro nível, o de modificação, que a mudança começa a ser mais expressiva, conquistando-se uma nova forma de aprendizagem, por exemplo, quando tarefas simples como atribuir um trabalho em grupo pode ser feito em uma sala de aula virtual, onde os alunos podem realizá-lo de maneira colaborativa em um mesmo documento sem que os integrantes precisem estar presencialmente reunidos.

* Elisiane Spencer Goethel Mestre e Doutoranda em Educação pela Unesp, Coordenadora de Projetos na Foreducation EdTech