O Que Diferencia Um Bom Programa De Ensino Híbrido De Um Ruim?

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O Que Diferencia Um Bom Programa De Ensino Híbrido De Um Ruim?

By Rebecca Recco – Fev 2018

Atualmente, muitas escolas falam sobre os seus programas de ensino híbrido quando estão apresentando sua escola para potenciais alunos. De uma certa forma isso faz sentido. O ensino híbrido pode combinar a flexibilidade da instrução online com os benefícios do ensino presencial. Mas semelhante a atributos nutricionais como os “100% natural” ou “saudável”, o termo”Ensino Híbrido” pode significar qualquer coisa dependendo de como você o define.
Antes que possamos entender o que procurar em um bom programa de ensino híbrido, quais são os equívocos comuns que podemos encontrar e o que evitar, primeiro precisamos esclarecer o termo. De acordo com “Blended: Using Disruptive Innovation to Improve Schools”, de Michael Horn e Heather Staker, o ensino híbrido é um programa de educação formal: 1. ministrado pelo menos em parte através de ensino digital, com alguma flexibilidade para os alunos escolherem a maneira que eles desejam aprender; 2. pelo menos em parte, em combinação com uma sala de aula física e professor; e 3. com oportunidades para os alunos aprenderem através de atividades que contemplam diferentes modalidades de aprendizado.
Apesar de existirem muitas maneiras de aplicar ensino híbrido a um currículo, alguns dos exemplos mais populares incluem o método de Sala de Aula Invertida, em que alunos aprendem online em casa e depois passam um tempo na sala de aula praticando com um professor disponível para ajudá-los; ou Modelo Rotacional, em que os alunos se movem entre estações, com pelo menos uma estação digital, e podem acessar uma variedade de recursos de aprendizado.
Embora existam muitas maneiras de implementar um programa de ensino híbrido, existem algumas coisas em comum naqueles que funcionam, ou que não funcionam, e os que estão destinados a falhar.

O Bom

Os melhores programas de ensino híbrido parecem ter algumas coisas em comum. Um dos melhores indicadores de um programa bem-sucedido é o uso intencional da tecnologia. Seja criando recursos digitais e atividades ou planejando uma grande compra de dispositivos para os alunos, a tecnologia deve apoiar o aprendizado e não o contrário. O pareamento consciente de recursos digitais aos resultados de aprendizado é uma excelente maneira de garantir que qualquer programa híbrido produza os resultados de aprendizado desejados . Isso também significa estar atento aos alunos com necessidades especiais, bem como a aqueles que não possuem recursos digitais em casa. Até mesmo as melhores ferramentas são inúteis se não estão acessíveis aos estudantes, portanto, a escola deveria se antecipar e disponibilizar um tipo de suporte para aqueles que o necessitam.

Outro indicador de um ensino híbrido de sucesso é um professor bem treinado e bem apoiado na aplicação das práticas pedagógicas , digitais ou não. Grande parte do desenvolvimento profissional do professor se concentra no uso de programas ou ferramentas, mas deixa a desejar quando se trata de ensinar aos professores as melhores práticas de ensino e aprendizado digital, instrução presencial, avaliação diferenciada e análise de dados. Os melhores programas preparm professores que são fortes em todas essas áreas.

Talvez o segredo para assegurar que um programa de ensino híbrido é o mais eficaz é o envolvimento dos alunos ,mas este também é um componente que muitas vezes nos escapa. Já que o engajamento é algo que os alunos têm que suprir e os professores não podem simplesmente aplicar engajamento emqualquer lição, é importante criar uma experiência de aprendizado que seja envolvente tanto na sala de aula digital, quanto na física.

Um desenvolvimento promissor no currículo híbrido e que promove bastante engajamento do aluno é o novo modelo COVA. De acordo com o recém publicado e-book Choice, Ownership, and Voice through Authentic Learning , trata-se de criar um ambiente de aprendizado e atividades que apoiem o COVA, que é o anagrama para escolha, voz e aprendizado autêntico. Apesar desse conceito soar bem simples, aplicá-lo ,na verdade, é bem complicado, pois se trata de redirecionar-se para longe do modelo aceito de repetir -praticar-testar dos alunos. No modelo COVA, A memorização rotineira, a prática repetitiva e avaliações padronizadas são substituídas por alunos que escolhem o caminho de seu aprendizado, criando e compartilhando produtos dele e mantendo sua propriedade; tudo, enquanto aprendem através de experiências autênticas. Dar aos alunos ‘COVA’ aumenta seu envolvimento por dar-lhes arbítrio em seu aprendizado e na autoria de seus produtos .

O Ruim

Como mencionado no início deste artigo, ensino híbrido pode ser um dos termos mais mal utilizados na Educação. Existem muitos programas rotulados como híbridos que não se parecem com a definição, mas as escolas os usam assim mesmo. Essas escolas regularmente nos desapontam com baixa taxa de sucesso, frequentemente porque não foi tomado o cuidado necessário no planejamento, design, compra, treinamento, engajamento ou apoio aos alunos. Um dos piores enganos do programa de ensino híbrido é simplesmente não criar uma forte mistura entre o aprendizado digital e o não digital. Algumas escolas consideram que apenas dar aos alunos um programa digital de aprendizagem em substituição à instrução em sala eliminará os problemas do ensino deficiente. Apesar de soar tentador,especialmente porque muitos distritos escolares estão passando por uma falta de professores e a pressão para aumentar os resultados dos exames de alto padrão representa praticamente todas as decisões tomadas nas escola, substituir o professor por um programa de computador não vai resultar em aluno com melhor desempenho, não importa quanto o programa diga que se adapta ou engaja alunos diferentes.

A verdade é que a tecnologia nunca vai substituir bons professores, que criam relacionamentos com os alunos e aprendem suas forças e desafios, administram uma coleção de recursos com necessidades específicas dos alunos em mente e trabalham com os alunos para criar o melhor plano de ensino. Pela quantidade de dinheiro gasto pelas escolas em programas de computador, eles poderiam propiciar aos professores melhor treinamento e apoio com a criação de um programa de ensino híbrido customizado para e por seus próprios alunos.

O que nos leva ao próximo problema com programas de ensino híbrido ruins – falta de suporte contínuo. Quando os professores não têm suporte apropriado e contínuo para mudar seu estilo de ensino para um modelo de ensino híbrido, e/ou suporte para manter a rede, equipamentos, programas atualizados e em boas condições, o sistema não funcionará. Talvez ,o aspecto menos valorizado de um programa de ensino híbrido seja o plano de suporte de longo prazo tanto para os recursos humanos quanto digitais.

Outros programas não providenciam recursos digitais apropriados para os alunos assim como metas de aprendizagem. Ao desenhar um ambiente de aprendizagem digital é crucial preparar recursos que sejam acessíveis a todos os alunos e direcioná-los para metas específicas.

Devido ao ambiente de aprendizagem digital não ser restrito pelo espaço ou horário de aula é fácil enchê-lo com recursos e atividades. Mas exatamente como no ambiente físico, um espaço digital entulhado é confuso e difícil de navegar. Existe uma grande chance de que os alunos não aproveitem bem o tempo dispendido nesse ambiente, se não estiverem seguros de como mover-se em seu ambiente digital.

O feio

Enquanto um design ruim de ensino híbrido resultará no baixo sucesso do aluno, e ninguém quer isso, algumas dificuldades no ensino híbrido produzem problemas em uma escala tão grande que acabam por criar uma visão negativa da aprendizagem digital, que acaba ecoando pelo universo da educação. Embora esses cenários sejam os pesadelos dos educadores digitais de hoje, nós podemos aprender a partir deles para garantir que não aconteçam novamente.
O mais famoso dos fiascos do ensino híbrido foi provavelmente a falha do programa de iPads do distrito unificado de Los Angeles. Em 2013, o distrito escolar fez um contrato com a Apple (Tecnologia) e com a Pearson (programação do currículo) para prover equipamentos para um programa de ensino híbrido. Esse programa falhou rápida e publicamente porque os alunos aprenderam como desconfigurar o perfil de segurança nos dispositivos e alterar proteções feitas para prevenir mau uso e roubo.

Em defesa da Apple, o distrito escolar não seguiu as instruções da Apple para implementação, nem consideraram totalmente as implicações de tão grande empreendimentopara o tipo de tecnologia que eles queriam implantar. Também ,porque o sistema escolar comprou os equipamentos para usar um novo currículo da Pearson ,o grande investimento (6.4 milhões de dólares) para o software foi perdido porque ele não podia ser acessado sem os dispositivos apropriados. Uma grande batalha legal se seguiu, o distrito sofreu enorme publicidade negativa e aqueles que já eram relutantes em trazer a tecnologia para as escolas se tornaram ainda mais relutantes. Mas essa falha traz com ela uma importante lição para todos que desejam implementar um programa de ensino híbrido, quer você esteja planejando uma grande implementação, como fez o distrito de Los Angeles, ou começando pequeno em sua sala de aula como eu comecei. Los Angeles falhou em planejar a sua efetivação para adequar-se às necessidades específicas de sua população e metas. Então se você não pesquisar sua população e metas cuidadosamente, portanto, não encontrar a tecnologia adequada para ambos, o seu programa de ensino híbrido não vai apenas resultar em resultados sem brilho; ele será um desperdício de dinheiro e uma tremenda decepção para o seu distrito escolar.

O Resultado

Agora é o melhor momento para iniciar um programa de ensino híbrido porque ele já está por aqui tempo suficiente para nos propiciar base suficiente para fazer as melhores escolhas para os nossos alunos e nossos investimentos.

Seus alunos se beneficiarão com o melhor do ensino presencial e digital enquanto constroem a cidadania digital necessária para serem adultos bem sucedidos! Mas é crucial ter uma visão forte que começa com um entendimento real da escola que você já tem, das metas que você quer alcançar e das ferramentas apropriadas e recursos que o levarão de um para o outro.

 

Rebecca Recco é uma artista, professora, treinadora digital e Educadora Distinta da Apple.